Saturday, November 15, 2008

negros olhos de Rouxinol


negros olhos de Rouxinol...
*virgínia além mar

corpo miúdo e astuto
disfarçado na folhagem
admirava os mistérios do anoitecer ...


belo
infante
menino encantador

solitário,discreto
aprendiz do tempo
migrava de flor em flor ...

sem saber ou querer
ensinou-me
um jeito mais terno de ser ...



Prosa poética

há uma criança em cada um de nós que
precisa ser reverenciada
vivida

mas em cada criança
há um adulto
um mestre
um pai-mãe,
um pequeno professor
um sábio conselheiro. ..

uma luz consoante
seu encantamento. ..

menino
não adormecia
enquanto não o fosse
recobrir

procurava-me à noite
encontrando- me
na sala de estudos
sobre os livros adormecida

preocupado como um
adulto aos seus
cinco anos de idade ...
dizia-me -

" mamãe ;
já te disse que tu não
podes dormir aqui
sentada de óculos..."

com doçura de pai-mãe zeleso

pegava-me pela mão
levava-me ao quarto

sem resistir o seguia
como uma criança obediente ...

o pequeno-grande mestre
menino
devolveu-me e devolve-me
a mim mesma e
à própria
condição humana

ajudou-me na compreensão
das fragilidades
dos limites ...
das multiplicidades
sobretudo das complexidades

Publicado no Recanto das Letras em 08/11/2008Código do texto: T1272720


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